Boletos vencidos poderão ser pagos em qualquer banco a partir de julho
03/02/2017 - 1h47 em Novidades

Willismar enfrenta problemas para realizar pagamentos. Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

Integração da cobrança, segundo a Febraban, garantirá mais segurança e comodidade aos usuários que, após o documento vencer, poderão quitá-lo até pela internet

Economia>> Correio Braziliense

 

Toda vez que o primeiro dia útil do mês cai depois do vencimento da prestação do carro, o militar Willismar Garrido Pereira, 29 anos, enfrenta uma verdadeira via-crucis para quitar o documento vencido. Ele precisa ir até o banco em que o boleto está cadastrado, enfrentar a fila do caixa e aguardar a atualização do valor. E onde mora, Santo Antônio do Descoberto, não há agências do banco emissor. “Seria melhor se pudesse resolver perto de casa”, opina. O desejo do militar está próximo de ser resolvido. A partir de julho, será dada a largada para a integração da cobrança de boletos. Isto quer dizer que será possível quitar contas vencidas em qualquer agência bancária, sem precisar ir à instituição de origem do documento.

A novidade vale tanto para meios físicos quanto virtuais. Ou seja, dá para pagar também pela internet. A mudança, inicialmente prevista para março, “precisou ser adiada para adequações tecnológicas da rede bancária e será implantada por faixas de valor até estar plenamente em vigor no mês de dezembro” (veja cronograma), explica o diretor de Operações da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Walter Faria. Em resumo, essa nova plataforma de cobrança, que começou a ser preparada há três anos, vai modernizar o sistema de boletos de pagamento, “trazendo maior comodidade e segurança para toda a sociedade”, completa.

Por ano, são pagos no Brasil cerca de 3,7 bilhões de boletos bancários de venda de produtos ou serviços. O ascensorista Genilson Fonseca, 42 anos, aproveita o intervalo de almoço para pagar as contas na lotérica perto do trabalho. Há alguns meses, ele atrasou o pagamento de um dos boletos e teve um grande problema para conseguir quitar a dívida. “Tive que ir até uma agência específica, que era longe. Além disso, estava muito lotada e o atendimento demorou”, reclama.

Criado em 1993, esse tipo de documento é uma das formas mais utilizadas no país para a realização de pagamentos de diversas naturezas, como, por exemplo, condomínio, cartão de crédito e escolas, informa boletim divulgado pelo Banco Central. A autônoma Samille Conrado Lira Medeiros, 26 anos, diz que preza pela praticidade. Ela aproveita os intervalos no trabalho para ir até a conveniência mais próxima, mas, sempre que possível, opta por “pagar pela internet”.

 

Menos fraudes

É a larga popularização dos boletos no Brasil que abre portas para as fraudes. A estimativa da Febraban é que, no ano passado, o volume de recursos desviados com golpes dessa forma de pagamento tenha chegado a R$ 320 milhões. Com o novo sistema, “queremos zerar as fraudes”, reforça o representante dos bancos. Isso porque as instituições financeiras vão ter reunidas as informações dos boletos registrados por empresas e instituições. Como é obrigatório que o documento de pagamento contenha o CPF do pagador, de acordo com normas do Banco Central, isso “proporciona mais confiabilidade e comodidade aos usuários”, diz o diretor da Febraban.

Acostumada a acompanhar e alertar consumidores sobre as fraudes praticadas nos boletos de cobranças, a economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Ione Amorim vê como “muito positiva” a medida que unificará o recebimento desse tipo de pagamento. Ela lembra que, de 2015 para cá, têm se intensificado diversos tipos de golpes com a emissão de falsos boletos. O problema, que tem trazido inquietação aos consumidores, “inseguros se estão fazendo o pagamento a quem realmente devem, pode ser minimizado com a iniciativa”, avalia a economista.

Para a advogada e representante da Proteste Sonia Amaro, “toda mudança que melhora a vida do cidadão é bem-vinda”. A empresa que Sonia representa atua na luta pelos direitos do consumidor e, nesse sentido, a advogada defende que o mundo moderno “requer cada vez mais facilidades, mas acompanhadas de segurança”, finaliza.

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